terça-feira, 26 de outubro de 2010

...o que ja foi

Por vezes me pego imaginando como as coisas transcorriam épocas atrás. Talvez, em certos pontos, haviam grandes dificuldades como acessibilidade ao estudo, trabalho precoce, a comunicação etc., mas mesmo com elas, a própria luta e a conseqüente vitória transformavam-nas em orgulho.
Ao mesmo tempo que as coisas levavam certo tempo para se concretizar, essa espera era chave para que, quando acontecessem, fossem inesquecíveis.
Com a ausência de toda essa "loucura" que nos circunda, me parece que as coisas valiam mais a pena: onde haviam sentimentos de fato durante as conversas viagiadas pelo olhar; onde os olhos se cruzavam e podia-se sentir o calor da presença alheia; onde cada pequeno e simples gesto era considerado.
Acredito que a busca pelo contato fazia sentido: as cartas escritas a próprio punho, com uma intensidade inquestionável; longos e incansáveis passos em prol do encontro tão esperado; o gesto da procura incessante pela mais bela flor de um jardim, sua coleta triunfal e o destino, que viria a ser sua aposta mais desesperadora; a inquietante espera por algum retorno, que poderia render algum tempo.
Mesmo com toda a "dificuldade" daquela época, as coisas aconteciam... E eram intensas.
Hoje, pela facilidade que temos em trocar mensagens com tantas pessoas simultâneamente, gastamos muito do nosso tempo só com palavras. E tantas delas nos enganam, justamente por não transpirarem total confiança.
As batidas nas teclas do computador ecoam no ar demonstrando o quão solitários estamos... E que atire a primeira pedra quem prefere isto a estar em boa companhia.
Não pretendo ser radicalista a ponto de declarar uma aversão ao contato virtual, já que estaria me contradizendo ao fazer uso deste blog. O fato é: os sentimentos devem ser transmitidos à flor da pele...Antes mesmo que terminem.
No momento em que reflito e vejo como as coisas eram, me pergunto se nasci no tempo certo...