Por vezes me pego imaginando como as coisas transcorriam épocas atrás. Talvez, em certos pontos, haviam grandes dificuldades como acessibilidade ao estudo, trabalho precoce, a comunicação etc., mas mesmo com elas, a própria luta e a conseqüente vitória transformavam-nas em orgulho.
Ao mesmo tempo que as coisas levavam certo tempo para se concretizar, essa espera era chave para que, quando acontecessem, fossem inesquecíveis.
Com a ausência de toda essa "loucura" que nos circunda, me parece que as coisas valiam mais a pena: onde haviam sentimentos de fato durante as conversas viagiadas pelo olhar; onde os olhos se cruzavam e podia-se sentir o calor da presença alheia; onde cada pequeno e simples gesto era considerado.
Acredito que a busca pelo contato fazia sentido: as cartas escritas a próprio punho, com uma intensidade inquestionável; longos e incansáveis passos em prol do encontro tão esperado; o gesto da procura incessante pela mais bela flor de um jardim, sua coleta triunfal e o destino, que viria a ser sua aposta mais desesperadora; a inquietante espera por algum retorno, que poderia render algum tempo.
Mesmo com toda a "dificuldade" daquela época, as coisas aconteciam... E eram intensas.
Hoje, pela facilidade que temos em trocar mensagens com tantas pessoas simultâneamente, gastamos muito do nosso tempo só com palavras. E tantas delas nos enganam, justamente por não transpirarem total confiança.
As batidas nas teclas do computador ecoam no ar demonstrando o quão solitários estamos... E que atire a primeira pedra quem prefere isto a estar em boa companhia.
Não pretendo ser radicalista a ponto de declarar uma aversão ao contato virtual, já que estaria me contradizendo ao fazer uso deste blog. O fato é: os sentimentos devem ser transmitidos à flor da pele...Antes mesmo que terminem.
No momento em que reflito e vejo como as coisas eram, me pergunto se nasci no tempo certo...